Publicado 06/04/2010 12:40
O Brasil é hoje o maior exportador de carne bovina do mundo, mas ainda assim fica fora de aproximadamente 60% de todo o mercado importador, justamente aquele onde se paga mais pelo produto. As diferenças de remuneração são enormes. Enquanto alguns países (como Rússia e Hong Kong) pagam cerca de US$ 2 pelo quilo da língua bovina, por exemplo, o Japão paga até US$ 30. Só que a carne consumida pelos japoneses vem, em sua maioria, da Austrália, país que busca consolidar seus mercados altamente rentáveis com um eficiente e intensivo trabalho de marketing. Este mesmo marketing vem sendo adotado pela União Européia (UE) - muitas vezes de forma excessiva e visivelmente corporativo e protecionista - contra a presença do produto brasileiro no velho continente. São gravações, comerciais e relatórios, muitos duvidosos, que colocam em xeque, sobretudo, o controle sanitário do rebanho do Brasil. De uma forma ou de outra, a briga é aberta e a maior arma vem sendo o marketing, que, no entanto, ainda não é adotado eficientemente para que o maior exportador passe a deter também os melhores mercados. Uma das alternativas para reverter a situação é fazer com que a cadeia produtiva da carne bovina brasileira se utilize da ferramenta do benchmarking. Trata-se de uma alternativa leal, positiva e funcional para se estudar o que faz com que países mantenham e consolidem mercados altamente rentáveis, sobretudo na Ásia. Neste aspecto, a Austrália é referência. O país da Oceania é o segundo maior exportador de carne bovina do mundo apesar de ter um rebanho (cerca de 30 milhões de cabeças) bastante inferior ao brasileiro (mais de 200 milhões de cabeças). A Austrália exporta mais de 60% de toda a sua produção, enquanto no Brasil este número está na faixa dos 20%. Mudanças estratégicas na pecuária australiana nas duas últimas décadas consolidaram o país no mercado internacional. Alterações estruturais reduziram drasticamente os impactos causados por estiagens como a desregulamentação do mercado de grãos, mais investimentos em processamento e engorda, elevação da genética nas propriedades, adequação de um manejo nutricional e aposta em marketing. Neste último aspecto, exemplo recente pode ser conferido em dezembro, quando os australianos jogaram forte na promoção de sua carne junto ao seu maior cliente: o Japão. Uma grande campanha de Natal foi promovida pelo Meat and Livestock Australia (MLA), incluindo ações na internet, competições e receitas. Em uma das ações, o consumidor japonês é levado a responder a perguntas sobre a Austrália e sobre a carne bovina australiana concorrendo a diversos prêmios, incluindo uma viagem para a Oceania. Também recentemente, aproveitando um evento sobre as Olimpíadas de Pequim 2008, o governo da Austrália apresentou os parâmetros de qualidade e segurança das carnes bovina e de cordeiro para representantes do governo chinês. Mas, para trabalhar dessa forma, o Brasil terá de executar ações que façam com que o marketing não seja enganoso. Ao contrário da Austrália, a pecuária bovina brasileira ainda peca em rastreabilidade e em sistemas de segurança alimentar. De acordo com reportagem publicada em outubro de 2007 na revista Panorama Rural, só no Mato Grosso do Sul, que detém o segundo maior rebanho bovino brasileiro (com quase 24 milhões de cabeças), a rastreabilidade representa apenas 4% dos quase 24 milhões de cabeças. Contudo, a eficiência da pecuária australiana pode ser verificada, estudada e acompanhada de perto pelos brasileiros graças à flexibilidade e às facilidades que o governo da Austrália dá para a concessão de vistos temporários e para receber brasileiros interessados em estudar, trabalhar e investir em vários setores, dentre eles a pecuária e o agronegócio como um todo. Nesta área, inclusive, a Austrália conta com várias opções de cursos acessíveis para o brasileiro que esteja disposto a seguir este modelo de eficiência. Estes procedimentos, no entanto, devem ser acompanhados por uma assessoria e uma consultoria específica para que sejam concedidos de forma rápida e eficiente. Esta pode ser uma boa alternativa para que a receita australiana tenha condições de ser bem adaptada à realidade brasileira. kicker: O Brasil perde muito não só em eficiência, mas na área de marketing
Fonte: Gazeta Mercantil
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